A corrida ao Ensino Superior começa muito antes de setembro. Nos meses que antecedem os exames nacionais, as famílias enfrentam os primeiros picos de despesa. Para garantir a entrada nos cursos mais competitivos, é frequente recorrer a explicações privadas, centros de estudo intensivos e compra de materiais de preparação ou exames de anos anteriores.
Estes custos, concentrados no terceiro período escolar, podem facilmente ultrapassar os 100 ou 200 euros mensais. Por isso, planear esta fase exige que os pais criem um 'fundo de educação' no orçamento familiar logo no início do ano letivo.
Quando o estudante entra finalmente na faculdade, a primeira grande fatura é a propina. Nas universidades e polititécnicos públicos, o valor máximo em 2026 ronda os 697 euros por ano para licenciaturas, o que representa um esforço de quase 70 euros mensais (pagos habitualmente em 10 prestações de setembro a junho).
Se o curso for tirado numa instituição privada, os valores disparam radicalmente, variando em média entre os 3.000 e os 7.000 euros anuais, exigindo ainda o pagamento de taxas de inscrição e matrícula avultadas.
Se o seu filho for estudar para fora da área de residência, o alojamento será a maior despesa de todas.
Nas grandes cidades universitárias, como Lisboa e Porto, arrendar um quarto ronda hoje os 350 a 500 euros, muitas vezes sem as despesas de água, luz e internet incluídas. No interior do país, os valores são mais acessíveis, mas ainda assim representam uma fatia pesada.
As residências universitárias públicas são a alternativa mais barata (com custos entre os 170 e os 300 euros), mas a procura é gigantesca e as vagas são limitadas, sendo atribuídas com base nos rendimentos familiares.
Para ter uma visão realista, além da casa e da faculdade, os pais devem somar as seguintes rubricas mensais:
Alimentação: Cerca de 200 a 250 euros (mesmo utilizando as cantinas universitárias e levando refeições de casa no fim de semana).
Transportes: O passe mensal com desconto para estudantes (ou gratuito, para quem tem menos de 23 anos e cumpre os requisitos) e as viagens de fim de semana à terra natal.
Extras e lazer: Livros, fotocópias, despesas médicas pontuais e o orçamento para convívios sociais.
Ter um filho a frequentar o Ensino Superior deslocado de casa pode custar à família mais de 800 euros por mês. Para suportar este embate sem entrar em rutura, os pais devem investigar apoios sociais (bolsas de estudo e complementos de alojamento da DGES) e incentivar os jovens a encontrarem part-times para ajudar com os pequenos gastos.
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